A necessidade de ser multitarefa na era da IA (ao final, dica de café)
Eu não sou multitarefa, apesar de ser uma necessidade. A ideia deste post é falar por que eu tenho dificuldade com isso e a dificuldade que estou tendo para me tornar um. E também como eu enxergo essa necessidade, porque a gente talvez precise se adaptar.
Não é uma questão só minha
O ThePrimeagen, ex-engenheiro de software da Netflix, um cara que tem muito conhecimento, também não é multitarefa. Ele é uma referência boa da área de tecnologia falando do mesmo assunto.
Talvez seja uma coisa humana, e não uma questão só minha. Muita gente agora se diz multitarefa, pelo menos no que eu vejo, com quem eu tenho contato. Mas eu acho que, humanamente, no geral, a gente é melhor quando está focado em uma tarefa.
A troca de contexto
Eu rendo muito mais quando estou focado em uma tarefa, muito melhor do que quando estou focado em várias. A troca de contexto me atrapalha muito, e isso tem muito a ver com computação, com a forma como o sistema operacional funciona: o time slice, como o kernel funciona por debaixo dos panos.
E essa troca de contexto, para mim, é bem ruim, cansativa. Faz eu chegar na exaustão mais rápido.
Eu demoro a entrar no fluxo
Eu demoro a entrar no fluxo, mas, quando eu entro, rendo bastante, e isso aumenta muito a criatividade. Até por isso, meu tempo de Pomodoro costuma ser de 2h.
Isso é verdade tanto para a tarefa do dia a dia quanto para a tarefa maior. Quando é uma tarefa grande, eu levo alguns dias para entrar no assunto. Quando eu chego lá, tenho que me situar, mas vem muita criatividade, muita ideia de melhoria, muita ideia de processo e muita confiança também.
Talvez não seja uma necessidade do futuro
O retorno das IAs está ficando muito rápido. Você mal termina de mandar o prompt, e a resposta boa e definitiva, de alta qualidade, que tem vindo atualmente das IAs já é suficiente para seguir adiante. Se continuar rápido desse jeito, e a IAs seguirem retornando um output, por mais complexo que ele seja, em pouco minutos, talvez ser multitarefa também não seja uma necessidade do futuro. E isso é um bom sinal.
A IA se divide em múltiplos agentes
Mas tem uma crítica que eu acho realmente muito importante. A capacidade da IA de fazer múltiplas tarefas, de se dividir em múltiplos agentes para lidar com múltiplos focos, resolvendo problemas diferentes, de infinitos assuntos variados, faz com que essa ideia de que a gente tem que conseguir lidar com vários assuntos ao mesmo tempo se torne o objetivo. E aí volta para a dificuldade do começo do texto. O constante aumento do sucesso da quantidade de problemas que conseguimos resolver, ao mesmo tempo, provido pelas IAs, premia quem resolve mais, e mais rápido. Paralelizar com sucesso acaba inevitavelmente sendo o caminho exigido no mercado.
Por mais que eu confie na IA do jeito que eu confio agora, ainda há muita necessidade de revisão. Eu tenho que estar ali, entendendo, revisando, vendo. O output que essa IA gera ainda é responsabilidade do ser humano, e isso gera estresse, gera cansaço, principalmente quando há muita demanda ao mesmo tempo.
Tem outra coisa que eu quero falar, que é muito comum: eu gasto muito tempo fazendo um prompt gigantesco, o retorno da IA vem em poucos minutos, e depois eu gasto mais um tempão fazendo outro prompt gigantesco. Nesse tempo, a IA fica ociosa, quando podia estar trabalhando. Isso me incomoda, porque eu sei que ela poderia estar sendo mais bem utilizada. Na minha visão, ela está sendo subutilizada, o que é ruim. Mas esse é um outro problema (em breve, um post sobre isso), e uma mudança futura de como eu vou conseguir me adaptar.
Um dos possíveis caminhos
Um dos possíveis caminhos que pode resolver isso, e que eu não vejo como palpável agora ou no futuro próximo, é a IA conseguir se dividir e fazer um trabalho gigantesco, por longos períodos, com um input pequeno. Hoje, usando IA, eu tenho que lidar com diversas tarefas de forma efetiva. A solução para não ficar gastando tanta energia, para não estressar tanto o ser humano que está sendo multitarefa, como é o meu caso, seria a IA, se um dia ela conseguir, chegar no resultado que a gente quer com pouca energia gasta nossa. Nesse cenário, eu falaria pouquíssima coisa, e ela geraria algo muito próximo de exatamente o que eu quero.
Para isso, eu entendo que ela precisa ter contexto, bastante contexto, para já saber a direção que tem que seguir. E isso vai ser construído (em breve, um post sobre isso).
Eu não vejo caminho de ela pegar só uma fala solta nossa e já chegar onde a gente quer. Muito pelo contrário: é até meio óbvio, mas vale botar em palavras, o sucesso que eu tenho ao utilizar IA é quando eu passo uma instrução gigantesca para ela, quando eu explico no detalhe o que eu quero.
E explicar no detalhe não quer dizer levar o mesmo tempo que levaria para a coisa ficar pronta. Muito pelo contrário: algumas coisas que levariam semanas, meses, conseguem ficar prontas muito mais rápido, às vezes em dias e às vezes em horas.
Leituras
Algumas leituras que ajudam nesse sentido:
- Trabalho Focado (Deep Work), de Cal Newport.
- O estudo sobre resíduo de atenção, de Sophie Leroy (2009).
- Attention Span, de Gloria Mark.
- Fragmented focus in the age of AI, no blog do Eric Dodds.
E, do outro lado, no sentido de conseguir fazer isso:
- A Arte de Fazer Acontecer (Getting Things Done), de David Allen.
- O plano “pronto para retomar” (ready-to-resume plan), de Sophie Leroy e Theresa Glomb (2018).
Por fim, uma dica de café
A dica de hoje é o café orgânico de cápsula, da marca 3 Corações, para máquina Nespresso. Eu nem sou consumidor assíduo de itens orgânico (mesmo preferindo-os), porque normalmente são itens muito caros. Como esse café é muito bom, sempre que eu posso, eu o compro. Acho ruim indicar uma parada que não fica disponível para todo mundo, já que precisa ter essa máquina da nespresso para prová-lo, mas, fazer o que né? É um bom café e eu queria indicá-lo.
Eu normalmente o tomo apenas em dias “especiais” (final de semana, feriado, um dia após uma conquista).
